Meu quarto ficava no segundo andar do hospital.
Em frente à janela, uma rampa.
Por lá desciam — ou melhor, eram conduzidos — os recém…
Recém-falecidos!
Mas vamos falar de coisa boa: os extraordinários — mais conhecidos como funcionários.
Na hierarquia trabalhista, cada um tinha sua função. Na minha recuperação, todos, sem exceção, tiveram a mesma finalidade: me ajudar.
Alexandro, Isa.
Sara, Marli.
Laís, Vinícius.
Ana Cristina, Quésia.
Márcio, Maria.
Tuca, Vini.
E outros.
Da medicina à faxina, mas no meu coração, ocupavam o mesmo espaço.
Quem fazia o quê?
Boa pergunta!
Sem eles, hospital era só prédio.
Já nós, os pacientes, éramos outra coisa: o enredo.
O amante de pés.
O locutor.
A engraçadinha.
O sambista.
A novinha.
O caraquento.
Os abandonados.
Com “s”.
Gente que não podia receber alta, porque não tinha para onde voltar.
E ninguém que os buscasse…
Enfim, uma interseção de histórias.
Mas um objetivo comum:
não descer a rampa.
Conheça a história de quem dá vida a este blog.
Uma Vida Que Mudou Num Piscar de Olhos
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