A confiança de DonAna

Ana Maria Machado, a DonAna, é natural do norte de Minas. De origem simples, vida difícil, veio tentar uma vida melhor na capital do estado.

Entrou no ônibus. Viajou a noite toda. Nem dormiu. Ficou pensando nas possibilidades para mudar o rumo da sua vida e da sua família.

Desembarcou e já foi procurar um hotel para guardar suas poucas coisas. Não andou muito e, no caminho, viu um tumulto: muitas pessoas ao redor de uma banca.


Passado como referência

Ao chegar mais perto, viu que se tratava de uma banca de verduras. Na hora, teve a ideia:

Já trabalhei na horta, vou vender verduras também.

Informou-se com a moça da banca onde poderia comprar verduras.

— No hortifruti, na praça — respondeu sem nem olhar para o rosto de DonAna.


Decisão

DonAna mudou a direção de seus passos e foi em direção ao hortifruti. Comprou verduras, estendeu um lençol e as revendeu ali no entorno da rodoviária.

No primeiro dia na cidade, já estava sem dinheiro e sem lugar para passar a noite. Ela planejava dormir na rua mesmo.

O material adquirido acabou logo no primeiro dia de vendas. 

No segundo, ela adquiriu o dobro de verduras. Vendeu todas! 

Ela ficou animada e comprou um estoque dez vezes maior no terceiro dia, mas as vendas não foram boas. Choveu, algumas estragaram e as vendas não chegaram nem às do primeiro dia.

No quarto dia, o tempo estava lindo, o sol, radiante, e DonAna comprou um bom estoque novamente.

Dessa vez vai dar, ela pensava.

E deu mesmo! O negócio das verduras rendeu. Alugou um quarto para dormir e guardar seus materiais.

Em poucos meses, já estava famosa na região. Como o movimento era alto, as verduras estavam sempre fresquinhas. 

Ela ajudava seus familiares, pagava o aluguel, gastava o básico do básico consigo mesma, reinvestia uma parte do dinheiro e guardava o restante do lucro. DonAna já sonhava com a casa própria.

Certo dia, conversou com um de seus clientes. Ele falava sobre um lote que estava precisando vender para pagar uma dívida.

O lote ficava em um terreno confiável, mas estava localizado longe dali e tinha apenas um barracão de dois cômodos no fundo, sem água e luz. Por isso, estava difícil de vender.

O homem chegou a oferecer o terreno pela metade do preço para conseguir o dinheiro, mas não apareciam interessados. Desabafou isso com a verdureira. Ela perguntou quanto estava valendo. Ele respondeu, e ela disse que, se soubesse de algo, avisaria.


Consultoria do Alto

Ana Maria refletiu bastante e conversou com Deus:

Senhor, quero minha casa, mas esse terreno não sai da minha cabeça.

Lote vago… posso fazer uma horta e vender minhas verduras lá.

Mas é longe e muito isolado da cidade.

Se essa aquisição for da Sua vontade, me dê um sinal.

Vou entender que é o Senhor falando comigo.

E faça tudo conforme Sua vontade.


Foi dormir.

No dia seguinte, acordou cedo e comprou as verduras para revender, como fazia todos os dias.

Banca posta, e o primeiro cliente foi o moço do lote.

— Bom dia, senhor!

— Só se for pra você. Estou desesperado! Preciso do dinheiro logo. Agora vou vender por metade da metade do que ele vale.

DonAna pensou na conversa com Deus e já afirmou com autoridade:

— Fico com ele!

O moço ficou surpreso e desconfiado, mas eles apertaram as mãos.

Ela, empolgada, nem quis ver o lote.


Erro?

Naquele mesmo dia, resolveram tudo: papelada, dinheiro, banco, cartório…

À noite, ela juntou as poucas coisas que tinha e já se mudou para seu novo investimento.

Quarenta e cinco minutos de ônibus, mais estrada de terra. Sem vizinhos nem muro. Somente uma cerca para delimitar o terreno…

Com as duas mãos na cintura, olhou ao redor e perguntou:

— Ana, o que você fez?

Mas não permitiu que pensamentos negativos estacionassem.

Mesmo com os pesares, DonAna estava animada. Ajeitou o barracão para passar a noite.

Para quem já estava se acostumando a dormir na rua, ter um lugar fixo para repousar era um avanço e tanto.

No dia seguinte, acordou cedo e foi até o centro comercial mais próximo.

A uns 3 km dali, ela comprou aquilo com que já tinha experiência: verduras frescas.

Comprou também água e materiais para suas necessidades básicas.

Como ainda estava pensando na horta, comprou algumas sementes para plantar no terreno.

A estrada em frente ao lote era caminho para uma grande indústria que ficava mais isolada da cidade.

Como a empresa funcionava 24 horas por dia, o comércio da DonAna estava sempre movimentado.

Os operários levavam verduras para casa; outros levavam para o trabalho.

Esse processo se repetiu por algumas semanas.

Colheita

As coisas foram se ajeitando. A região foi loteada. Água, esgoto, energia elétrica… uma estrutura habitacional começou a se formar.

Um galpão foi construído ao lado da horta; não demorou muito e já foi alugado.

Em poucos meses, um centro comercial foi formado ao redor da horta.

Um condomínio foi construído para facilitar a vida dos operários.

As sementes germinaram.

A autonomia da horta cresceu.

A região prosperou.

Depois, mais um condomínio, salas comerciais…

Hoje, DonAna é a principal comerciante da cidade que ela ajudou a formar.

Sua horta é famosa por possuir verduras frescas a qualquer hora do dia. A horta de DonAna é o principal comércio da região, que segue prosperando.


E você, o que aprendeu?

Eu poderia terminar esta história dizendo o que aprendi com DonAna.

Mas, desta vez, quero deixar essa parte para você.

Que lição você tira dessa história?

Escreva nos comentários


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