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Centelha do milagre

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Vamos conversar sobre o início da fé. Uma faísca do acreditar naquilo que, para nós, parece impossível. Mas para Deus… ah, o restante você já sabe, né?

A nossa fé não controla Deus, mas nos coloca em movimento diante dele. O milagre pode “startar” no início da atitude. 

Ao começar uma atividade física, um curso ou preparo; ao se dispor a fazer um exame ou ir à consulta. Isso acontece também quando manifestamos a Ele o que nos aflige.

Tal manifestação pode vir em forma de uma sincera oração.

E não pense em palavras difíceis ou frases prontas repetidas várias vezes.

Orar é conversar com Deus sobre nossas aflições, súplicas e gratidão.

Ao “conversarmos” com Ele, demonstramos dependência do seu soberano agir, comunhão e, claro, exercitamos nossa fé.

Apesar de Ele já saber das nossas petições antes mesmo de elas chegarem à boca.

Em Salmos 139:4 lemos:

Ainda que a palavra não me chegou à língua, tu, Senhor, já a conheces toda.

Já em Mateus 6:8 encontramos:

“…Antes de vocês pedirem, o Pai de vocês já sabe o que vocês precisam.”

A base do milagre já está em cada um de nós.

A decisão de iniciarmos — ou não — é de cada um. Porém, o complemento do milagre não depende dos nossos esforços. E, se for da vontade de Deus, vai acontecer!

Esse acréscimo à nossa atitude pode surgir em forma de ajuda sem precedentes, surpresas inexplicáveis, habilidades desconhecidas, desejos repletos de fé…

Enfim, nosso milagre pode estar a uma manifestação em direção ao sonho de distância.

  • Uma oração
  • Um desejo ardente
  • Uma atitude
  • Ousar experimentar
  • Seguir a direção de Deus, quando muitas vozes dizem o contrário.

Caso pessoal

Quando ainda estava no leito de hospital, sempre pensava em ocupar a mente — assim agia, apesar das minhas limitações.

Pensava que a minha experiência poderia ser útil para ajudar alguém.

Mas tinha a dúvida: como?

No início da recuperação, me comunicava apenas com os olhos, depois apontando letras e, então, cheguei à escrita.

Conseguia falar algumas palavras, mas ninguém entendia, então optei por escrever mesmo.

A partir daí, comecei a me familiarizar com o ato de escrever.

A escrita passou a ser a maneira preferencial de eu desenvolver uma conversa.

De tanto escrever, todos os dias e praticamente o dia todo, cheguei à conclusão: “vou escrever um livro!”

Um pensamento repleto de convicção. Então, já comecei a traçar um planejamento inicial.

Vou contar como aconteceu o AVC em ordem cronológica.

Vou relatar como estou reagindo a toda a situação.

Contarei também um pouco da minha história de antes do AVC, para as pessoas conhecerem um pouco do Daniel de antes.

Ótimo! Porém, ainda faltava uma concretização desse interessante, porém abstrato planejamento.

Lembrei então do meu celular.

— Vou anotar tudo nele. Uma sacada genial.

O telefone estava na minha casa, descarregado e no fundo de alguma gaveta. Pedi à minha mãe que o trouxesse para mim.

Assim que estava com o celular em mãos, anotava no bloco de notas o que já tinha acontecido — os fatos ainda estavam fresquinhos na memória. Além disso, eu tinha muito tempo disponível para essa tarefa.

Anotava também o que acontecia de relevante a partir daquele momento.

Meu dia era dividido em atividades relacionadas à recuperação, banho, alimentação e anotações.

E assim foi por mais de dois meses. No dia da minha alta, tirei uma foto da parede que ficava na minha frente. Ela tinha uns exercícios da fono, fotos e convites de casamento aos quais não pude ir. Minha intenção era que ela constasse no livro.

Em casa, não demorei para iniciar a escrita, que era realizada todos os dias.

Depois de seis meses em casa, tive que voltar ao hospital.

Mas intencionalmente! Pois estava esperando uma vaga no Hospital Sarah Kubitschek. Eu tinha boas expectativas sobre lá.

Voltei à rotina de anotações para depois constar no livro.

Agora já estava mais atento às pessoas e aos fatos ao meu redor para contar na história.

Mais um mês internado e alta!

Retorno à escrita. Cerca de nove meses depois da minha alta, terminei!

Agora é só publicar, pensei!


Missão cumprida?

Não! Não era bem assim.

Escrever parecia a parte difícil. Mas publicar exigiria outro tipo de fé.

Contatei uma editora da região. Expliquei a situação e ofereceram a editoração de forma gratuita.

Fiquei empolgado!

Mas a demanda era alta. Meu livro sempre ficava para depois e depois.

Entendi que a produtividade da empresa poderia ser comprometida por uma cortesia.

Decidi encerrar as tratativas com a editora.

Deus usou até a porta que não se concretizou para confirmar em mim o desejo de publicar.

Entrei em contato com outras editoras.

Logo recebi as propostas, que foram desanimadoras. Na minha percepção como escritor de primeira viagem, tive a sensação de que meu trabalho era pouco valorizado.

Hoje entendo melhor o funcionamento do mercado editorial, mas, naquele momento, foi difícil aceitar.

Surgiram outros compromissos, a aquisição burocrática do carro com isenção, a possibilidade de voltar a estudar; e, com tudo isso, acabei deixando o livro de lado.

Contudo, sempre relia, revia histórias e ficava em uma busca incansável pelo perfeccionismo disfarçado de zelo.

O livro não estava abandonado. Estava preso. Preso em mim.


Reacendendo

Até que, em 2022, recebi um amigo em casa.

Ele havia passado maus momentos com a COVID-19. Ficou intubado por muitos dias e pegou infecção hospitalar.

A família dele sofreu muito, entretanto venceram.

Uma história realmente impactante, em que notamos a mão de Deus em cada fase.

Foi aí que ele me falou que tinha escrito um livro.

Mostrou-me, no telefone dele, um arquivo em PDF com fotos e alguns textos.

Um trabalho simples, mas com potencial espiritual imensurável.

No momento em que vi, já concluí: o objetivo do livro dele está sendo cumprido.

Com aquele arquivo, ele vai ajudar e impactar outras pessoas.

Editoração profissional em um trabalho nada profissional é um detalhe irrelevante. E continuei:

A história do rapaz também é de superação.

Ele escreveu sobre o ocorrido, eu também.

Ele já concluiu o testemunho e já está impactando vidas.

E eu ainda estou preso no meu “loop” de perfeição.


Fé em movimento

Assim que o rapaz foi embora, voltei a mexer no livro com uma certeza: “agora só paro de trabalhar nele quando lançar.”

Acertei alguns detalhes. Demorei apenas alguns dias. Falei com um professor de português. Conversei com ele sobre a minha ideia e ele me doou a revisão.

Não demorou muito e já estava contatando editoras de todo o Brasil.

Após colocar os orçamentos em uma planilha, decidi pela Editora Becalete, situada em São Paulo.

Diagramação, capa, revisão — era cortesia, mas já tinha feito, então não precisei —, registro e versão digital.

A divulgação era por minha conta.

Fiz um contrato de cem cópias. Depois de uns dias, chegaram.

Fiquei impressionado!

“Poxa, consegui mesmo escrever um livro.”

No início de 2023, o livro já estava sendo vendido por mim nas minhas redes sociais.

Um texto simples e artes feitas também pela editora.

As vendas foram melhores que o esperado.


Da semente ao fruto

“Vou escrever um livro” foi o meu manifestar. A centelha do meu milagre.

Até aquele momento, nunca havia pensado em escrever um livro — nem de ler eu gostava.

Mas ousei seguir com a ideia.

Não tive uma surpresa inexplicável, mas tive ajudas.

A frustração confirmou o desejo.

A visita reacendeu o propósito.

O professor ofereceu ajuda.

A internet ampliou os caminhos.

E a semente que Deus plantou no meu coração gerou frutos.

Feito é melhor do que perfeito.

Esperei a condição que julgava ideal para seguir com o livro.

Contudo, precisei entrar em contato com um relato pronto para “acordar”.

Percebi, então, que minha escrita não precisa estar perfeita para “ganhar o mundo”.

No meu caso, foi sobre um livro, mas esse entendimento pode ser aplicado em várias áreas da vida.

Esperar o momento ideal para avançar, na maioria das vezes, não é o ideal.


Surpresa divina

A recompensa da minha coragem em persistir, mesmo depois de quase desistir, foi muito melhor do que eu esperava.

Efésios 3:20

Àquele que é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, de acordo com o seu poder que atua em nós.

Deus fez assim e ainda está fazendo de forma surpreendente com aquilo que começou apenas com uma convicção.


Não deixe o perfeccionismo apagar a centelha que Deus acendeu.


O resultado é esse, sem perfeição, mas cheio de emoção e verdade.

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